quarta-feira, 6 de julho de 2011

Árvore sem lógica

Árvore Genealógica

- Mãe, vou casar!

- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça?

- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo.

- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?

- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?

- Nada, não... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.

- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...

- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.

- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho.

- Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea... E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo?

- Pode o chamar de Biscoito. É o apelido.

- Tá! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui?

- Por quê?

- Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.

- Você acha que o Papai não vai aceitar?

- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metades com bigode.

- Mãe, que besteira... Hoje em dia... Praticamente todos os meus amigos são gays.

- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.

- A Bel já tá namorando.

- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é?

- Uma tal de Veruska.

- Como?

- Veruska...

- Ah!, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.

- Mãe!!!...

- Tá.., tá..., tudo bem...Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto...

- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozoides.

- E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.

- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?

- Quando ele era hétero... A Veruska.

- Que Veruska?

- Namorada da Bel...

- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... É a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...

- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero.

- De quem?

- Da Bel.

- Mas. Logo da Bel?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozoide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska.

- Isso.

- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.

- Em termos...

- A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.

- Por aí...

- Por outro lado, a Bel..., além de mãe, é tia... Ou tio... Porque é tua irmã.

- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozoide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vai trocar.

- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.

- Exato!

- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi...

- Entendeu o quê?

- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!

- Que swing, mãe?!!....

- É swing, sim ! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra...

- Mas...

- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio..

-A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...

- Sei!!! ... E quando elas quiserem ter filhos...

- Nós ajudamos.

- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozoide...

A única coisa que eu entendi é que...

- Que... ?



- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser foda.


 (Crônicas Luiz Fernando Veríssimo)





sábado, 2 de julho de 2011

Jesus nasceu 3.000 anos antes de Cristo

Por Victor M. Amela *


As informações contidas nesta entrevista não visam, em nenhum momento, depreciar cristãos e nem muito menos combater sua fé, convicções e teologias, simplesmente retransmitir informações de um estudioso em religião.


“No início Llogari Pujol amava tanto a Jesus que decidiu abdicar de sua vida pessoal para servi-lo, ajudando a espalhar suas mensagens de amor à humanidade. Com essa determinação entrou para o Seminário de Vic, onde estudou por sete anos. Em seguida fez teologia na Universidade de Estraburgo e estudou textos bíblicos e egípcios por mais dez anos, aprendendo demótico em Sorbonne – Paris (com Mme. De Cenival) para ler nos textos originais. Já como Sacerdote continuou estudando textos antigos quando descobriu que os Evangelhos foram baseados em antigos textos egípcios. Isto o abalou profundamente, quase levando-o a loucura e a morte. Ao fim, perdeu sua fé, abandonou o sacerdócio, casou-se com uma companheira de estudos e juntos escreveram “Jesus, 3.000 anos antes de Cristo”.


Entrevista


Victor M. Amela – O senhor poderia se apresentar aos nossos leitores? 


Llogari Pujol – Tenho 62 anos e nasci em Taradell (Barcelona, Espanha). Fui Sacerdote, sou teólogo e investigo as fontes egípcias dos Evangelhos. Casei-me com a historiadora Claude-Brigitte Carcenac e temos dois filhos: Laetititia (20 anos) y Joan Tomás (14 anos). Hoje sou agnóstico.


Victor M. Amela – Como resumiria o livro que escreveu com sua esposa? 


Llogari Pujol - Os evangelistas construíram a vida de Jesus utilizando textos egípcios.


Victor M. Amela – Natal: o filho de Deus nasceu. Mas não faz 2.000 anos, há uma defasagem no calendário de três ou quatro anos, certo? 


Llogari Pujol - Não me refiro a três ou quatro anos´. Falo de 5.000 anos! A idéia do menino-deus nasceu 3.000 anos antes de Cristo.


Victor M. Amela – Como? A que menino-deus se refere? 

Llogari Pujol – Ao Faraó. À figura do Faraó do Antigo Egito: ele era considerado “filho de Deus”.


Victor M. Amela – Não vejo a relação entre o Faraó e Jesus. 


Llogari Pujol – Esta é a questão, o ponto: atribuíram a a Jesus os ensinamentos e os rasgos característicos do Faraó.


Victor M. Amela – Bom, quiçá haja coincidências, mas… 


Llogari Pujol – Não se trata somente de coincidências, os paralelismos são infinitos! A 3.000 anos a.C. o Faraó era considerado filho de deus, como Jesus. O Faraó era ao mesmo tempo humano e divino, como Jesus. Sua concepção era anunciada à mãe, como Jesus. O Faraó ressuscita, como Jesus. O Faraó ascende aos céus, com Jesus…


Victor M. Amela – Jesus é um clone do Faraó? Que coisa… 


Llogari Pujol – Você sabe a oração do Pai-Nosso, que nos dizem que Jesus criou e ensinou?


Victor M. Amela – É claro. “Pai nosso que estais no céu, santificado seja teu nome….” 


Llogari Pujol – Pois essa oração se encontra em um texto egípcio do ano 1.000 a.C! conhecido como ‘Oração do Cego’. Nesse mesmo texto estão também as que logo seriam as Bem aventuranças de Jesus. Ouça-me, toda a teologia do Antigo Egito manifestar-se-á em Jesus: “a teogamia (matrimônios divino) vem do Egito; deus engendra em uma rainha o novo Faraó; em demótico (texto egípcio do ano 550 a.C.), em ‘O Conto de Satmi’, está escrito que ‘A sombra de deus apareceu a Mahitulket e lhe anuncia’ que ‘Terás um filho e ele se chamará Si-Osiris’”…


Victor M. Amela – E o anjo da anunciação, Maria. 


Llogari Pujol – “Mahitulket significa ‘cheia de vida’ e Si-Osiris significa ‘filho de Osíris’”.


Victor M. Amela – E quem é Satmi, nesse conto? 


Llogari Pujol – O esposo de Mahitulket. Satmi significa ‘o que acata a Deus’, exatamente o mesmo que se fará com José, chamado ‘o justo’ pelos Evangelhos.


Victor M. Amela – Herodes quer matar a Jesus… 


Llogari Pujol – Na mitologia egípcia Seth quer matar ao bebê Hórus, e sua mãe, Ísis, foge com ele, exatamente como a Sagrada Famíli.


Victor M. Amela – E o ouro, o incenso e a mirra… 


Llogari Pujol – Os egípcios os tinham como emanações do deus Rá. O ouro era sua carne, o incenso seu perfume e a mirra sua germinação.


Victor M. Amela – E os pastores? 


Llogari Pujol – Imagens do bons pastores estão pintadas em centenas de vezes em templos egípcios.


Victor M. Amela – E a circuncisão de Jesus? 


Llogari Pujol – A circuncisão masculina era prática comum entre os sacerdotes egípcios.


Victor M. Amela – A discussão de Jesus menino com sábios judeus?


Llogari Pujol – No conto de Satmi, Si-Osíris, aos 12 anos, discute frente a frente com os sábios do templo, assim como Jesus, nos Evangelhos!


Victor M. Amela – E do batismo de Jesus, o que me diz? 


Llogari Pujol – Contemple esta imagem de um sacerdote batizando o Faraó com água do Nilo. Tudo está em antigos textos, pinturas e baixo-relevos egípcios. Olhe este, do ano 3.000 a.C.: o rei Ptolomeu está prostrado ante Ísis e ela lhe he diz: “Dar-te-ei todos os reinos da terra”. Nos Evangelhos, Satanás tentará Jesus copiando isso, palavra por palavra.


Victor M. Amela – E que me diz dos milagres de Jesus? 


Llogari Pujol – Vê esta pintura de um banquete? Está na tumba egípcia de Paheri (1.500 a.C.): encena a conversão de água em vinho pelo Faraó. O mesmo milagre que fará Jesus nas Bodas de Canaã. E conte as jarras…


Victor M. Amela – Uma, duas, três… seis jarras. E daí? 


Llogari Pujol – No milagre de Jesus, as jarras são seis. Os teólogos ainda se perguntam: por que seis? Pois até a quantidade de jarras foi copiado do relato egípcio.


Victor M. Amela – Também o Faraó fez o milagre de multiplicar pães e peixes? 


Llogari Pujol – Não, isso o fez o deus Sobk, como conta o “Textos da Pirâmide” do ano 3.000 a.C. Sobk é o deus crocodilo e dá pescado e pão branco às pessoas da margem do lago Faium… E caminha por sobre as águas. Já captou?


Victor M. Amela – Já… 


Llogari Pujol – Uma curiosidade: nas pinturas góticas sobre as cenas da pesca milagrosas dos apóstolos foi descoberto que os peixes são “tilápias nilóticas”, espécie que só existe no rio Nilo.


Victor M. Amela – Algum outro paralelismo? 


Llogari Pujol – O relato de Sinuhé (2.000 a.C): é um príncipe que teme reinar, e se vai da corte ao deserto, entre beduínos e calamidades…


Victor M. Amela – Mas Jesus entra triunfal em Jerusalém! 


Llogari Pujol - Sim, já como “rei”… e sobre um asno. Ou seja, vencedor sobre o mal: o asno no Egito era Seth, o deus que matou a Osíris y ao que o filho deste, Hórus submete e monta.


Victor M. Amela – E sobre a última ceia? 


Llogari Pujol – Osíris, deus do trigo, ao morrer cada ano, permitia aos egípcios alimentar-se com seu corpo (pão). Nos “Textos das Pirâmides”, se chama também “Senhor do vinho”. E Osíris dá a beber seu sangue em um copo a Ísis, para que ela o lembre depois de sua morte!


Victor M. Amela – A ressurreição e ascensão de Jesus são também imitação da teologia faraônica? 


Llogari Pujol – Sim. Existia um ritual de “ressurreição” do Faraó morto – intervinham mulheres – após o que “ascendia aos céus”.


Victor M. Amela – Jesus reproduziu pela consciência esses padrões, ou lhes deram os evangelistas? 


Llogari Pujol – Minha tese é outra. Acredito que os Evangelhos foram compostos por eruditos sacerdotes judeu-egípcios do templo de Serapis em Sakkara (Egito) que, por razões ainda desconhecidas, traduziram palavra por palavra textos egípcios. Acredito que essas primeiras traduções mantiveram os atores e cenários originais, e milhares de anos depois, talvez já durante o império romano, os atores foram trocados para judeus e os cenários para israel. Logo contarei tudo em um livro.


* Victor M. Amela, jornalista espanhol 

http://www.youtube.com/watch?v=ZxuFf7yXRCM
http://qbitacora.wordpress.com/2008/10/08/llogari-pujol-boix-la-falsificacion-del-cristianismo-entrevista/

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Göbekli Tepe - Berço da civilização

Göbekli Tepe (Monte com Barriga ou Monte com Umbigo em turco) é o topo de uma colina onde foi encontrado um santuário, no ponto mais alto de um encadeamento montanhoso que forma a porção mais a sudeste dos montes Tauro, a aproximadamente 15 km a nordeste de Şanlıurfa (Urfa) no sudeste da Turquia.

Ele tem 15 metros de altura por 300 de diâmetro.
O sítio arqueológico que está sendo escavado por arqueólogos alemães e turcos, foi construído por caçadores-coletores no décimo milénio a.C., antes do advento do sedentarismo. Junto com o sítio de Nevalı Çori, revolucionou o conhecimento do neolítico e as teorias sobre o início da civilização. As descobertas também têm um importante impacto sobre a história das religiões.
O sítio arqueológico que está sendo escavado por arqueólogos alemães e turcos, foi construído por caçadores-coletores no décimo milénio a.C., antes do advento do sedentarismo. Junto com o sítio de Nevalı Çori, revolucionou o conhecimento do neolítico e as teorias sobre o início da civilização. As descobertas também têm um importante impacto sobre a história das religiões.



Tem se especulado na mídia popular estrangeira e em blogs conexões com o Jardim do Éden bíblico. Devido à forma das casas, e estão tentando interpretar se eram casas ou templos porque os dois pilares centrais de todas as estruturas encontradas, estão virados para Oeste, que, nestas culturas do crescente fértil, representa o renascer.
Göbekli Tepe já havia sido notada por uma pesquisa arqueológica norte-americana em 1964, que reconheceu que a colina não poderia ser inteiramente natural, mas presumiu que as anomalias do terreno fossem apenas um cemitério bizantino abandonado. Desde 1994 escavações tem sido conduzidas pelo Instituto Arqueológico Alemão e pelo Museu de Şanlıurfa, sob a direção do arqueólogo alemão Klaus Schmidt (1995-2000: Universidade de Heidelberg, desde 2001: Instituto Arqueológico Alemão).
Schmidt diz que os fragmentos de rocha na superfície do monte fizeram com que tivesse certeza de que se tratava de um sítio pré-histórico. Antes disso o monte estava ocupado por culturas agrícolas. Gerações de habitantes locais frequentemente moviam rochas e as empilhavam para limpar o terreno e muita evidência arqueológica pode ter sido destruída no processo. Acadêmicos da Universidade Karlsruhe de Ciência Aplicada começaram a documentar os restos arquitetônicos. Logo foram descobertos pilares em forma de T, alguns dos quais apresentando sinais de tentativas de esmagamento.
As escavações sugerem fortemente que Göbekli Tepe era um local de culto - o mais antigo já descoberto até hoje. Até que as escavações tivessem começado, não se imaginava possível um complexo nessa escala para uma comunidade tão antiga. A grande sequência de camadas estratificadas sugere muitos milênios de atividade, talvez desde o mesolítico.
A camada com indícios de ocupação humana mais antiga (stratum III) continha pilares monolíticos ligados por paredes construídas grosseiramente para formar estruturas circulares ou ovais. Até agora, quatro construções como essas foram desenterradas, com diâmetros entre 10 e 30 metros. Pesquisas geofísicas indicam a existência de mais 16 estruturas. O stratum II, datado do Neolítico Pré-Cerâmico B (PPNB, na sigla em inglês, 7.500 - 6.000 a.C), revelaram várias câmaras retangulares adjacentes com pisos de cal polido, reminiscências de pisos em estilo 'terrazzo' romanos. A camada mais recente consiste de sedimentos depositados pela erosão e pela atividade agrícola.
Os monólitos são decorados com relevos esculpidos de animais e pictogramas abstratos. Esses sinais não podem ser classificados como escrita, mas podem representar símbolos sagrados amplamente compreendidos, por analogia com outros exemplos de arte rupestre do neolítico.
Os relevos representam leões, touros, raposas, gazelas, burros, serpentes e outros répteis, insetos, aracnídeos e pássaros, particularmente abutres e aves aquáticas. Os abutres aparecem com destaque na iconografia de Çatalhüyük não muito longe dali. Acredita-se que nas culturas neolíticas do sudeste da Anatólia os mortos eram deliberadamente expostos para serem devorados por abutres e depois enterrados. A cabeça do cadáver era às vezes removida e preservada - possivelmente como um sinal de culto aos ancestrais.
Poucas formas humanóides foram desenterradas em Göbekli Tepe, mas estas incluem relevos de uma Vênus accueillante — o termo de Schmidt para uma mulher em uma pose sexualmente provocativa — e pelo menos um cadáver decapitado cercado de abutres. Alguns dos pilares em forma de 'T' têm 'braços' esculpidos, o que pode indicar que eles representam humanos estilizados. Outro pilar é decorado com mãos humanas no que poderia ser interpretado como um gesto de oração, com uma estola ou sobrepeliz gravada acima, o que pode representar um sacerdote.
As casas ou templos são edifícos megalíticos redondos. As paredes são de pedra tosca, com 12 pilares monolíticos de calcário, com cerca de 10 toneladas cada, em forma de T, com altura até 3 metros, e com dois pilares maiores no centro da estrutura. Como há provas que tinham cobertura pensa-se que tais pilares serviam para suportar a estrutura do telhado. O pavimento estava revestido com terrazo (mistura de restos de pedra, normalmente mármore, com um aglomerante). A parede exterior tem uma espécie de degrau/banco que rodeia o edifício.
Os pilares apresentam os seguintes animais esculpidos: raposas, leões, gado bovino, javalis selvagens, burros selvagens, garças-reais, patos, escorpiões, formigas, aranhas, muitas serpentes e poucas figuras antropomórficas. Alguns dos relevos foram propositadamente apagados, provavelmente para a preparação do suporte para novos trabalhos. Veja mais neste site: http://youtu.be/7XqfjWCUgfk

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Mito da Caverna de Platão!

“Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após humanos estão aprisionados”. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semiobscuridade, enxergar o que se passa no interior. A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros (no exterior, portanto) há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas. 


Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna. 
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria. Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade. 

Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los. Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.


O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo? “Porque imaginam que o mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.”


(Extraído de: Marilena Chauí, Convite à Filosofia, Ed. Ática)